26 de jun. de 2013

LADAINHA

Por se tratar de uma ilha deram-lhe o nome
de ilha de Vera Cruz
Ilha cheia de graça
Ilha cheia de pássaros
Ilha cheia de luz.

Ilha verde onde havia
mulheres morenas e nuas
anhangás a sonhar com histórias de luas
e cantos bárbaros de pajés em pocarés batendo os pés.

Depois mudaram-lhe o nome
prá terra de Santa Cruz
Ilha cheia de graça
Ilha cheia de pássaros
Ilha cheia de luz.

A grande Terra girassol onde havia guerreiros de
tanga e onças ruivas deitadas à sombra das
árvores mosqueadas de sol.

Mas como houvesse, em abundância,
certa madeira cor de sangue cor de brasa
e como o fogo da manhã selvagem
fosse um brasido no carvão noturno da paisagem,
e como a terra fosse de árvores vermelhas
e se houvesse mostrado assaz gentil,
deram-lhe o nome de Brasil.

Brasil cheio de graça
Brasil cheio de pássaros
Brasil cheio de luz.

Cassiano Ricardo

A PÁTRIA

Ama, com fé e orgulho, a terra em que nasceste!
Criança! Não verás nenhum país como este!
Olha que céu! Que mar! Que rios! Que floresta!
A Natureza, aqui perpetuamente em festa,
É um seio de mãe a transbordar carinhos.
Vê que a vida há no chão! Vê que vida há nos ninhos,
Que se balançam no ar, entre os ramos inquietos!
Vê que luz, que calor, que multidão de insetos!
Vê que grande extensão de matas, onde impera
Fecunda e luminosa, a eterna primavera!
Boa terra! Jamais negou a quem trabalha
O pão que mata a fome, o teto que agasalha...
Quem com o seu suor a fecunda e umedece,
Vê pago o seu esforço, e é feliz, e enriquece.
Criança! Não verás nenhum país como este!
Imita na grandeza a terra em que nasceste!

Olavo Bilac


A SERRA DO ROLA-MOÇA

A Serra do Rola-Moça
Não tinha esse nome não...

Eles eram do outro lado,
Vieram na vila casar.
E atravessaram a serra,
O noivo com a noiva dele
Cada qual no seu cavalo.

Antes que chegasse a noite,
Se lembraram de voltar.
Disseram adeus para todos
E puseram-se de novo
Pelos atalhos da serra
Cada qual no seu cavalo.
Os dois estavam felizes,
Na altura tudo era paz.

Pelos caminhos estreitos, 
Ele na frente ela atrás.
E riam. Como eles riam!
Riam até sem razão.
A serra do Rola-Moça
Não tinha esse nome não,

As tribus rubras da tarde
Rapidamente fugiam
E apressadas se escondiam
Lá embaixo nos socavões
Temendo a noite que vinha.

Porém os dois continuavam
Cada qual no seu cavalo,
E riam. Como eles riam!
E os rios também casavam
Com as risadas dos cascalhos
Que pulando levianinhos
Da vereda se soltavam
Buscando o despenhadeiro.

Ah, Fortuna inviolável!
O casco pisara em falso.
Dão noiva e cavalo um salto
Precipitados no abismo
Nem o baque se escutou.

Faz um silêncio de morte.
Na altura tudo era paz...
Chicoteando o seu cavalo,
No vão do despenhadeiro.
O noivo se despenhou.

E a serra da Rola-Moça
Rola-Moça se chamou.
                Mário de Andrade

A FLOR DO MARACUJÁ

Pelas rosas, pelos lírios,
Pelas abelhas, sinhá,
Pelas notas mais chorosas
Do canto do sabiá,
Pelo cálice de angústias
Da flor do maracujá!

Pelo jasmim, pelo goivo,
Pelo agreste manacá,
Pelas gotas de sereno
Nas folhas do gravatá,
Pela coroa de espinhos
Da flor do maracujá!

Pelas tranças de mãe-d’água
Que junto da fonte está,
Pelos colibris que brincam
Nas alvas plumas do ubá,
Pelos cravos desenhados
Na flor do maracujá!

Pelas azuis borboletas
Que descem do Panamá,
Pelos tesouros ocultos
Nas minas do Sincorá,
Pelas chagas roxeadas
Da flor do maracujá!

Pelo mar, pelo deserto,
Pelas montanhas, sinhá!
Pelas florestas imensas,
Que falam de Jeová!
Pela lança ensangüentada
Da flor do maracujá!

Por tudo o que o céu revela,
Por tudo o que a terra dá
Eu te juro que minh’alma
De tua alma escrava está!…
Guarda contigo este emblema
Da flor do maracujá!

Não se enojem teus ouvidos
De tantas rimas em – á -
Mas ouve meus juramentos,
Meus cantos, ouve, sinhá!
Te peço pelos mistérios
Da flor do maracujá!


Fagundes Varela


NÃO ME DEIXES!

Debruçada nas águas de um regato,
A flor dizia em vão

À corrente, onde bele se mirava...
- Ai, não me deixes, não!"

"Comigo fica, ou leva-me contigo
"Dos mares à amplidão:

"Límpido ou turvo, te amarei constante;
"Mas não me deixes, não!"

E a corrente passava; novas águas
Após as outras vão;

E a flor sempre a dizer, curva na fonte:
- "Ai, não me deixes não!"

E das águas que fogem incessantes
A eterna sucessão,

Dizia sempre a flor, e sempre embalde:
- "Ai, não me deixes, não!"

Por fim desfalecida e cor murchada,
Quase a lamber o chão,

Buscava inda corrente por dizer-lhe
Que a não deixasse, não.

Corrente impiedosa a flor enleia,
Leva-a do seu torrão;

A afundar-se dizia a pobrezinha:
- "Não me deixaste, não!"

Gonçalves Dias




UM PASSARINHO

Para que vieste
na minha janela
meter o nariz?
Se foi por um verso
não sou mais poeta
ando tão feliz!
Se é para prosa
não sou Anchieta
nem venho de Assis.
Deixa-te de histórias
some-te daqui!

Vinicius de Morais


24 de ago. de 2012

A FESTA DOS BICHOS NO JARDIM


Houve uma festa no jardim,
Lá no fundo do quintal.
Foi mais ou menos assim:
Parecia um arraial!



Pernilongo com o violino,
Dava o tom para a cigarra,
Que cantava alegres hinos.
Fazendo uma grande farra!

Voava sobre as flores,
A borboleta faceira...
Que com suas asas multicores,
Coloria a festa inteira!

A lagarta só comia,
As folhas do pé de salsa.
Era tanta a sua alegria,
Que não quis dançar a valsa...

Na sua teia, preguiçosa,
Ficava a gentil aranha.
Que naquela festa maravilhosa,
Deixou de lado a sua artimanha.

Ninguém quis ficar de fora
Desta festa alucinante.
Até o tímido tatu bola,
Não se embolou como antes...

A formiga era quem servia,
As guloseimas do buffet.
Fazia com tanta maestria,
Que nem pensava em comer!

A abelha não fez doce,
E bailava pelo céu...
Fosse como fosse,
Hoje não haveria mel.

E a linda joaninha,
Veio toda elegante!
Mas, preferiu ficar sozinha,
Num canto meio distante...

 
Já a pegajosa lesma,
Era pura emoção...
Bailava consigo mesma,
Deixando um rastro no chão.

A pulga pulava feito louca!
Numa só animação.
Ninguém lhe calava a boca,
Vergonha ela não tinha não.

 
Num outro canto do “salão”,
Trocando uma forte ideia,
Estava o senhor pulgão
Com a animada centopéia.

A lagartixa espiava,
Com cara de azedume.
Enquanto lhe ofuscava,
O piscar do vaga-lume!

De repente escondeu-se o sol...
E ouviu-se um grande grito!
Reconheceu-se o lépido caracol
Era a voz do mosquito:
 
“Olha a chuva que vem vindo!”
Foi aquela confusão.
Acabou-se o baile tão lindo,
Esvaziou-se o nobre salão!

E a chuva veio forte!
Cada bicho foi pra sua toca.
Só quem achou que teve sorte,
Foi a dançante minhoca!

Que dançou a tarde inteira,
No meio do temporal...
Essa história é verdadeira,
Aconteceu no meu quintal.
 
Co-autoria   César Augusto, Anna Carolina, Clara Christina e Francineide Maria)
 
Fonte: www. recantodasletras.com.br/poesias/       

24 de mar. de 2012

DUAS DÚZIAS DE COISINHAS QUE DEIXAM A GENTE FELIZ:

Gato andando no telhado, cheirinho de mato molhado, disco antigo sem chiado.
Pão quentinho pela manhã, drops de hortelã, grito do tarzan.
Tirar a sorte no osso, jogar pedrinha no poço, um cachecol no pescoço.
Papagaio que conversa, pisar em tapete persa, eu te amo e vice-versa.
Vaga lume aceso na mão, dias quentes de verão, descer pelo corrimão.
Almoço de domingo, revoada de flamingo, herói que fuma cachimbo.
Anãozinho de jardim, laço de cetim, ter uma amiga querida assim.
(poeminha de Otávio Roth)


 

CHEGUEI À JANELA

Cheguei à janela,
Porque ouvi cantar.
É um cego e a guitarra
Que estão a chorar.

Ambos fazem pena,
São uma coisa só
Que anda pelo mundo
A fazer ter dó.

Eu também sou um cego
Cantando na estrada,
A estrada é maior
E não peço nada.

(Fernando Pessoa)

 

BRINCAVA A CRIANÇA

Brincava a criança 
Brincava a criança
Com um carro de bois.
Sentiu-se brincado
E disse, eu sou dois !

Há um brincar
E há outro a saber,
Um vê-me a brincar
E outro vê-me a ver.

Estou atrás de mim
Mas se volto a cabeça
Não era o que eu qu'ria
A volta só é essa...

O outro menino
Não tem pés nem mãos
Nem é pequenino
Não tem mãe ou irmãos.

E havia comigo
Por trás de onde eu estou,
Mas se volto a cabeça
Já não sei o que sou.

E o tal que eu cá tenho
E sente comigo,
Nem pai, nem padrinho,
Nem corpo ou amigo,

Tem alma cá dentro
'Stá a ver-me sem ver,
E o carro de bois
Começa a parecer.
(Fernando Pessoa)

 

4 de fev. de 2012

COELHINHO DA PÁSCOA

Coelhinho da páscoa, o que trazes pra mim?
Eu trago os meus achados e perdidos
A paz que anda nas calçadas sem fim,
O amor desencontrado pela solidão,
Esperança  anunciando um rumo a seguir;


Coelhinho da páscoa, o que trazes pra mim?
Eu trago os meus achados e perdidos
O sorriso da criança,
O gesto caloroso do amigo sincero,
A clareza dos sentimentos entre as pessoas.


Coelhinho da páscoa, o que trazes pra mim?
Eu trago os meus achados e perdidos
A solidariedade presente em cada coração,
Respeito pela vida reverenciado em cada ser,
O carinho das mães pelos filhos;


Coelhinho da páscoa, o que trazes pra mim?
Eu trago os meus achados e perdidos
As orações diárias de milhões de pessoas,
O desejo de harmonia, compreensão e paz,
O prazer para que o dia seguinte seja muito melhor;


Coelhinho da páscoa, o que trazes pra mim?
Eu trago os meus achados e perdidos
O ovo de chocolate simbolizando a fartura,
A compreensão entre os povos,
As palavras de Fé em Deus;


Coelhinho da páscoa, o que trazes pra mim?
Eu trago os meus achados e perdidos
Um minuto de silêncio com um pedido,
Que as pessoas se encontrem no amor e na Fé,
Que se respeitem não só na PÁSCOA, mas a cada dia.
(Celso Gabriel de Toledo e Silva)

CONFISSÕES DE UM LIVRO

Amanhece
O primeiro raio de sol aparece
O raio do meu despertar
E eu desperto pra vida
Tudo em mim também amanhece
Sou dia novo que acontece
Dia alegre de esperança
Dia feito criança
E ao longo de minha tarde
As emoções a bailar
Idéias que vão brilhar
Mistérios pra desvendar
Enfim quando anoitecer
Sou última página a virar
De tudo que fui,
Um pouco
Para sempre vai ficar.
(Iêda Maria Kucera)

3 de fev. de 2012

SÚPLICA DO LIVRO

1. Não me manuseie com as mãos sujas!

2. Não rabisque em minhas páginas!

3. Não rasgue nem arranque as folhas!

4. Não apoie o cotovelo no texto, durante a leitura!

5. Não me abandone sobre cadeiras ou noutros lugares impróprios!

6. Não me deixe com a lombada para cima!

7. Não coloque entre as minhas páginas objeto algum que seja mais espesso que uma folha de papel!

8. Não dobre o canto das páginas para marcar o ponto em que parou a leitura! Use para isso um marcador apropriado.


(Desconheço o autor)

1 de fev. de 2012

CONTAGEM

A galinha do vizinho
Bota ovo amarelinho
Bota um,bota dois, bota três, etc.



1 - 2 - 3 - Bom dia Sr. Francês
4 - 5 - 6 - Bom dia Sr. Inglês
7 - 8 - 9 - O garotinho se move
10 - 11 - 12 - E cumprimento com pose.



1 - 2 - 3 - 4 - O gato pulou no prato
5 - 6 - 7 - 8 - Ia furtar um biscoito
9 - 10 - 11 - 12 - Mamãe bateu-lhe sem dó
                            Com o ponto do cipó
                            Saiu o gato a miar
                            Quem te ensinou a roubar?


1 - 2 - 3 - 4 - 5 - 6 - 7 - 8 - 9
10 ovinhos tem o ninho
1 - 2 - 3 - 4 - 5 - 6 - 7 - 8  - 9
Agora são dez pintinhos
Tão macios e amarelinhos!
Bom dia, lindos pintinhos!


 

O CARNEIRO DE MARIA

Maria tinha um carneiro
Era todo bem branquinho
Por onde a menina andava
Ia atrás o carneirinho.



31 de jan. de 2012

PIÃO

Roda, roda
meu pião
Bem encima da minha mão.

ARANHA TATANHA

Aranha tatanha
Aranha tatinha
Aranha que arranha
A minha casinha.

ORAÇÕES

Anjo da minha guarda,
Doce companhia
Não me desampares
Nem de noite, nem de dia.

Fotos de anjo da guarda

Meu bom Jesus verdadeiro
Filho  da Virgem Maria
Me acompanha esta noite
E amanhã por todo dia.



Com Deus me deito
Com Deus me levanto
Com graça de Deus
E do Espírito Santo.



Anjo da minha guarda,
Que me  protege e ilumina,
Ajude-me todo dia
A ser uma boa menina.

PEIXE

Peixe, peixinho
Me ensina a nadar
Quero ver as belezas
Do fundo do mar.

JANGADA

Minha jangada do vale?
Que vento queres levar?
Aqui no meio das ondas
Das verdes ondas do mar.
(Juvenal Gelano)